AMANTES DA CHUVA (1979)
Roberto Santos: Cinema brasileiro não é só pornochanchada!

“Não quero falar sobre mercado. Todo mundo sabe que o mercado brasileiro de cinema foi e está sendo ocupado pelas multinacionais, isso pelo menos há meio século. O que é importante, é como conquistar nossos direitos, da mesma maneira como os índios fizeram com os portugueses com os franceses; os índios, os negros e os portugueses com os holandeses, e daí por diante. Não sou sociólogo para falar sobre mercado, sobre conquistas sociais, sobre... sei lá tanta coisa. Sei que a gente deve conquistar direitos, na raça nessa bruta raça misturada que tem negros e coração.

Não pretendo fazer manifesto que isso é coisa que só serve pra debate. Debate não serve pra nada, só para dar força à inteligência de nossos inimigos... e é o que eles querem, e é o que nós não temos. Teorizar não é o principio de nada e não é o fim de coisa nenhuma. É preciso provar isso nos nervos, e nos músculos de homem e de mulher. Cada filme brasileiro deve ser protesto, à s vezes recuo e sempre avanço. Não tenho nada a perder, por isso tenho tudo a ganhar. Cada proposta do cinema brasileiro deve ser ou pode ser uma proposta de liberdade. Não quero falar sobre mercado, porque nesta medida, nestes termos, a gente fica igual a todos aqueles que nos exploram e nós não queremos explorar ninguém, queremos nossos direitos. Se for pra competir, a gente compete; se for para perder, a gente ganha; se for pra ganhar, ganhamos nossos direitos, nossa conquista nossa liberdade. Você que lê isso pode ficar tranqüilo, que eu sou minoria – mas não sou silencioso ou silenciosa -; não me entrego, me alugo mas não me vendo; falo de amor num instante onde muita gente fala de traição; não choro sobre amor, tenho um grande tempo para refletir sobre isto – desde Adão e Eva e Julieta e Romeu. Se não me engano é esta proposta que eu tenho sobre “Amantes da Chuva”.